Construindo pensamentos organizados


Posted by: Jeferson Silva
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Motivado em compreender a dinâmica do raciocínio humano e identificar falhas e acertos em nossa percepção, o filósofo Aristóteles no século IV antes de Cristo foi o primeiro a elaborar uma metodologia com regras rígidas para identificar argumentos certos e errados, distinguindo interferências no raciocínio, validando o pensamento organizado.

A lógica é uma ciência que se preocupa com o caminho do raciocínio, em outras palavras, busca identificar como o pensamento é organizado.

A principal regra da lógica de Aristóteles é a não-contradição. Chamamos de falácia quando uma argumentação é contraditória. Muitas das afirmações que escutamos diariamente quando fundamentadas demonstram-se falácias, principalmente as afirmações generalizadas.

Segue um exemplo:

Correr diariamente 30 minutos faz bem a saúde de todas as pessoas.

Observe que a frase acima é generalizada e ignora pessoas vitimadas por problemas na coluna, ortopédicos, entre outros. Ao tentar fundamentar o raciocínio acima vai ocorrer a contradição, nem todas as pessoas são aptas ao exercício. Possuímos aqui uma falácia, como existe uma contradição não é possível sustentar afirmação.

Já a afirmação abaixo:

Todos os seres vivos são mortais

Esta é uma conclusão coerente, é possível perceber que não existe registro de seres vivos que não morrem.

Para não ocorrer erro de raciocínio é importante que ao concluir um determinado pensamento a pessoa descreva sua afirmação dentro de um contexto detalhado e não use afirmações generalizadas.

Observe que as generalizações contam com a interpretação implícita dos argumentos. Neste sentido, fica oculto o contexto, permitindo que cada pessoa imagine um contexto independente da real aplicação da frase.

Assim deveria ser o raciocínio.

Correr diariamente 30 minutos faz bem a saúde de todas as pessoas que, após consulta médica e exames de capacidade física forem diagnosticadas aptas para o exercício.

Pode parecer bobagem, mas diariamente recebemos informações sem nenhuma fundamentação e conseqüentemente nos iludimos. O maior problema é que estas ilusões irão formar nossa base de conhecimento para aplicação do raciocínio.

Não existe aplicação da lógica se a informação não for fundamentada e/ou validada. Observe que lógicas é uma metodologia com regras rígidas que exigem a fundamentação e validação do raciocínio.

Certa vez um professor levou para a sala de aula uma foto de uma pessoa caindo do décimo segundo andar de um prédio. Ao mostrar a foto para os alunos o professor pediu que estes concluíram o que teria ocorrido com a pessoa que aparecia em queda livre.

Rapidamente sem nenhum questionamento prévio, todos concluíram, morreu!

Afinal é muito difícil alguém cair do décimo segundo andar e sair vivo.

A foto era de um dublê que foi fotografado no momento do ensaio de uma queda, ninguém morreu.

No entanto, foi possível manipular a informação mostrando uma foto sugestiva e sem contexto adequado, Observe que mesmo usando o raciocínio fundamentado para se chegar em um resultado dentro da realidade é importante que as informações observadas sejam questionadas quanto a sua veracidade e contexto.

Alguns autores comparam a lógica como uma estrada, um caminho por onde a informação é organizada. É importante lembrar que uma conclusão correta não significa necessariamente uma informação verdadeira. A lógica é uma ferramenta que garante o raciocínio correto e não a informação correta.

Basicamente, Aristóteles trabalhou com validação lógica através do conceito de verdadeiro ou falso, usando um raciocínio binário onde só existem afirmações verdadeiras e/ou falsas, sem meio termo.

Seguindo a mesma linha de raciocínio de Aristóteles o matemático George Boole (1815-1864) criou o cálculo de Boole ou lógica Booleana. Esta metodologia é usada na criação do computador e dos circuitos eletrônicos digitais.

Outros pensadores foram surgindo no decorrer de nossa evolução e complementado o que hoje conhecemos por lógica.

Além da lógica de Aristóteles, existem outras metodologias de raciocínio como a lógica não-clássica, lógica paraconsistente e ainda a lógica de Fuzzy, lógica matemática e outras.

Não pretendo comentar cada um dos conceitos lógicos, mas gostaria de salientar um pouco e resumidamente a Fuzzy Logic ou em português, lógica difusa. Diferente do raciocínio Aristotélico a Lógica Difusa trabalha com o conceito de dualidade onde opostos devem coexistir. Basicamente este tipo de raciocínio é mais eficiente em trabalhos com informações vagas ou imperfeitas.

A Lógica Fuzzy trabalha com o raciocínio de aproximação de possibilidades, é mais eficiente em alguns casos que a teoria da probabilidade, já que é possível na Lógica Fuzzy trabalhar o raciocínio de uma forma ainda mais flexível que a própria probabilidade.

A lógica Fuzzy é largamente usada na Inteligência Artificial. Observe o leitor que a lógica Aristotélica e a Lógica de Fuzzy são basicamente opostas em seus conceitos uma trabalha de forma rígida com apenas situações verdadeiras ou falsas enquanto a outra usa de variações da percepção e atua por resultado aproximado.

Cada metodologia lógica é eficiente em uma determinada situação.

Quando alguém afirma alguma coisa, não esqueça de avaliar a fundamentação das afirmações bem como o tipo de lógica empregada e procure manter a mente aberta.

Para processar uma informação é importante que os fatos avaliados no raciocínio aplicado sejam verdadeiros, em outras palavras, sempre avalie o contexto das afirmações e questione quanto sua veracidade.

Quando uma afirmação é precisa procure observar a fundamentação através da Lógica Aristotélica, mas se a informação for vaga e não existe maneira de verificar a consistência, usar Lógica por aproximação de resultados é o mais indicado.

Aplicando a lógica certa para um determinado problema e sendo a informação verdadeira, o resultado será o mais próximo possível da realidade. Para traçar perfil de comportamento, os criminalistas usam do conhecimento lógico no intuito de identificar padrões existentes em uma determinada pessoa.

Através do conhecimento das diversas formas lógicas existentes, podemos construir uma grande variedade de soluções, identificar o perfil de pessoas e até mesmo verificar com maior clareza a consistência dos argumentos que diariamente nos são apresentados, diferenciando os enganos e mentiras e as afirmações consistentes.

A aprendizado de qualquer área do conhecimento, torna-se mais fácil quando o estudante domina a lógica do conteúdo estudado, neste sentido, é aconselhável praticar o raciocínio lógico no intuito de aperfeiçoar a técnica de entendimento, identificando assim, os diferentes critérios de realidade apresentados em cada conteúdo.


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