Software livre e a tendência comercial


Posted by: Jeferson Silva
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O software livre enfrenta um grande problema e em alguns casos parece adotar caminhos equivocados. Vivemos em um sistema capitalista onde nada é realmente gratuito.

Sempre que algo é criado, alguém precisa pagar a conta. O termo gratuito é ilusório para quem cria produtos e pode gerar alguns problemas para o software livre. A grande pergunta é como sustentar a produção de um software de livre distribuição.

Segundo o site de notícias arstechnica, Richard Stallman fundador do movimento do software livre se irritou com a versão do Ubuntu 12.10 e chamou esta versão de Spaywere, uma vez que a mesma parece monitorar o comportamento dos usuários e enviar as informações para a Amazon, patrocinadora do Ubuntu bem como para a própria Canônica, desenvolvedora do produto.

A coleta anônima de dados sobre o comportamento dos usuários é uma prática comum efetuada pelas gigantes tecnológicas e o software livre que atualmente depende em muitos casos da venda publicitária para se sustentar acaba cedendo aos interesses comerciais e agindo da mesma forma.

O problema é como sustentar o desenvolvimento de aplicativos de qualidade sem cobrar pelo produto. O software livre surgiu com a promessa de libertar os desenvolvedores permitindo uma livre produção tecnológica no estudo de novas soluções.

No entanto, com o passar do tempo, foi percebido que embora exista a liberdade de criação através do código fonte de livre acesso, esta liberdade sozinha atende apenas as demandas de estudantes e pesquisadores.

Para quem deseja ganhar dinheiro com software livre e não apenas conhecimento, o caminho mais procurado tem sido a venda de espaço publicitário. O grande problema é que aqueles que pagam á conta exigem certas condutas muitas vezes problemáticas para os usuários do aplicativo.

Alguns softwares acabam ocupando boa parte do processamento da máquina para monitorar os usuários e assim gerar relatórios que facilitem identificar tendências publicitárias. Este parece ser, em parte, o caso do Ubuntu 12.10 na opinião de Stallman.

A parceria da Canônica com a Amazon não foi bem recebida por muitos participantes da comunidade de software livre. Mas até o momento ninguém conseguiu definir uma forma adequada de colocar o software livre no mercado de trabalho sem que este se submeta aos processos do capitalismo. Afinal, é necessário responder, como pagar os custos de desenvolvimento, divulgação e distribuição dos softwares livres?

Para alguns especialistas o adequado seria que os governos assumissem a conta criando pólos tecnológicos que permitissem a produção de soluções de acordo com a necessidade de cada país. Mas admitem que isso também é problemático uma vez que o software livre fica na dependência da motivação política, algo ausente em muitos países.

Outros sugerem que o software livre seja concorrente no mercado formal de produção de aplicativos com venda de produtos e serviços. Um dos problemas é que no mercado formal será necessário atender as elevadas tributações fiscais, bem como os custos da livre concorrência, da publicidade e das parcerias comerciais.

A economia informal também pode ser vista como uma alternativa, no entanto, a ausência da formalidade coloca este tipo de atividade numa perspectiva marginalizada onde o estado combate e pune tal informalidade. Comercializar produtos sem respeitar as normas comerciais é um problema, já que limita o numero de clientes que pode ser atendido bem como o rendimento do trabalhador.

O problema é polemico e persiste. Será o futuro do software livre servir aos interesses das grandes corporações? Ou ele conseguirá autonomia sem incorrer em exageros comerciais?


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